
Nos dias de temporal que devastaram o nosso país, muitas pessoas perderam tudo: casas, bens, memórias, ficaram apenas com a roupa que tinham no corpo.
Mas, em meio ao caos, surgiu uma história que me emocionou profundamente e que merece ser partilhada.
Uma senhora, obrigada a sair de casa enquanto a água subia rapidamente, não conseguiu levar os seus gatos, o Ruca e o Manjerico e com a voz embargada, dizia que não se importava o que tinha perdido, só queria os seus gatos.
Cada palavra transbordava amor, desespero e a certeza de que, para ela, esses animais eram família.
Mais tarde, soube que o IRA conseguiu resgatar os dois gatos.
O reencontro foi emocionante, um momento que mostrou que, mesmo em situações extremas, o vínculo entre humanos e animais pode ser mais forte do que qualquer adversidade.
Enquanto há quem abandone ou maltrate animais, há pessoas que, mesmo em meio à tragédia colocam a vida dos seus companheiros em primeiro lugar.
Perder bens ou conforto é doloroso, mas proteger quem amamos é prioridade e para quem vê os animais como família, é tudo o que importa.
Esta história lembra-nos de algo essencial: os animais não são apenas companhia, são vida concreta, presença, amor e responsabilidade.
Cuidar deles é um compromisso que vai para além de afecto, é uma escolha diária de empatia e respeito pela vida que partilhamos.
Como artesã que cria réplicas de animais em lã, sinto que esta ligação é o que tento transmitir em cada peça: não é apenas uma réplica, é memória, presença e a concretização do amor que sentimos pelos nossos companheiros.

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